
Em setembro de 2009, a Faculdade de Ciências do campus de Bauru recebeu as professoras doutoras Filomena Teixeira, docente da Esec - Escola Superior de Educação de Coimbra - Isabel Chaves da Universidade de Lisboa e Maria Teresa Machado Vilaça - Universidade do Minho – região de Braga, juntamente com os professores doutores Ana Claudia Bortolozzi Maia, Ari Fernando Maia de Bauru e Paulo Rennes Marçal Ribeiro - FCLar/UNESP/Araraquara que iniciaram contatos para intercâmbio entre Portugal e Unesp quando estiveram naquele País, em junho de 2009, com amplo apoio da Propg- Pró-Reitoria de Pós-Graduação.
Os professores da Unesp participaram do I Congresso Internacional “Família, Escola e Sociedade – Educação Especial e as reuniões técnico-cientificas proporcionaram o intercâmbio entre as Universidades com trabalhos de pesquisa. Um deles será o I Congresso Luso-Brasileiro de Sexualidade e Educação Sexual que será realizado em Aveiro no ano de 2010. Após dois anos deve acontecer na Unesp.
Atualmente Portugal foca a discussão da educação sexual nas escolas no âmbito da educação e prevenção para a saúde, no Brasil as ações desenvolvidas surgem em resposta a casos específicos de violência contra mulheres e homossexuais.
Filomena Teixeira destaca os efeitos positivos da Educação Sexual nas instituições de ensino, para ela ao permitir espaços de reflexão e questionamento sobre a sexualidade conquista-se uma visão positiva da mesma.
Ela participou de banca de mestrado na Pós-Graduação da Faculdade de Ciências do curso de Pós-graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem.
As pesquisadoras participaram de um seminário que ocorreu em Araraquara “Tópicos Especiais em Educação Sexual” no último dia 05/11. Em Bauru, nos dias 11 e 12/11 com o tema: “Tópicos Especiais em Desenvolvimento e Sexualidade” no anfiteatro da Pós-Graduação da FC.
A professora Isabel pesquisa as tecnologias que influenciam e que podem ser usadas na promoção da educação sexual. “Esse convênio é muito importante, juntamente com o intercâmbio, mesmo com objetivos e áreas diferentes, o foco das pesquisas e a preocupação central é a Educação Sexual em ambos os paises”, destaca.
Em Portugal é obrigatória disciplinas de educação sexual nas escolas públicas até os 17 anos.
A internacionalização com pesquisas em conjunto entre Portugal e a Unesp também tem a possibilidade de se criar projetos de pesquisas em comum e que envolva os paises sobre sexualidade e educação sexual é altamente produtivo, reforça as professoras. “São várias vertentes nas linhas de pesquisas que ambos os paises atuam, mas é fundamentalmente a metodologia do ensino da educação sexual; sexualidade em mídia; tecnologia da informação e comunicação na Educação Sexual que vamos atuar em conjunto”, explica Teresa.
O grupo também conta com pesquisadores de outros paises como Espanha, Dinamarca e convênios que ainda estão em andamento, cujo objetivo é o de ampliar o trabalho em comum.
Mesmo em Portugal e em outros paises da Europa elas disseram que as taxas de doenças sexualmente transmissíveis e a disseminação da Aids se equivalem e são muito similares a do Brasil, como exemplo a gravidez na adolescência também ocorre em altos índices.
Elas ainda ressaltaram que mesmo em países desenvolvidos como Inglaterra e Estados Unidos também há equivalência de altas taxas de gravidez na adolescência, mesmo naqueles onde existem leis que obrigam a formação de professores para ministrar disciplinas de Educação Sexual, ocorre outro problema relacionado há falta de professores suficientes para ensinar. “O governo português realiza um esforço grandioso na formação desses professores, a exemplo da formação continuada e a criação de disciplinas nas universidades tem mudado bastante o conceito” ilustrou Teresa.
Entretanto, Isabel destaca que os jovens exercem papel fundamental, pois como estão intimamente ligados as mídias – como a interação através da Internet pelos fóruns, chats, e redes sociais, mesmo realizando consulta para as dúvidas, “devemos estudar essas vertentes na educação sexual para que o objetivo seja alcançado da melhor maneira possível”.
Como no Brasil, campanhas governamentais são realizadas em Portugal por Ongs e canais independentes de televisão, mas as professoras não conhecem os mecanismos de avaliação e não acreditam que ocorra a interação entre pesquisadores e os mídias a fim de obterem os resultados se essas campanhas foram eficientes ou não. “Há necessidade de se criar mecanismos para fortalecer as relações entre as instituições, pois as Ongs atuam diferentes dos pesquisadores, o ideal seria formar pessoas da mesma idade com a mesma faixa etária para influenciar aos jovens disseminando a informação”, destacaram.
Isabel acredita que o intercâmbio e o convênio é o caminho para a melhoria do tema, pois é altamente positivo, ocorre um estimulo positivo, uma inovação em conversar e criar caminhos e questões que possam se encaixar nas linhas de pesquisas com os colegas da UNESP.
Mesmo com referências teóricas semelhantes e culturas diferentes, principalmente, destacam o sistema de banca de mestrado e doutorado, em Portugal ocorre todo um ritual, é muito formal as apresentações. “Aqui no Brasil é extremamente informal e isso é muito bom para o candidato, ele fica mais a vontade e podemos interagir, a comunicação é espontânea. Isso é um dado cultural que sentimos, ainda penso que é mais positivo a informalidade”, revelou Teresa.
Sobre o Brasil, seus colegas portugueses alertaram as pesquisadoras sobre possíveis ameaças físicas que a imprensa mundial transmite e se depararam com panorama totalmente diferente, contou Teresa pela primeira vez no País.
A Propg – Pró-Reitoria de Pós-Graduação realiza um grande investimento e estimula o convenio possibilitando a ampliação e intercâmbio das pesquisas que poderão ser ampliadas aos alunos de Pós-graduação dos outros câmpus da Unesp.
A professora Ana Claudia do Câmpus de Bauru destaca que a vinda das pesquisadoras esta sendo altamente positivo, cuja contribuição não é somente para os estudantes da Pós-Graduação, mas também aos professores do câmpus. “Alunos da Pós como os da graduação e de iniciação científica estão aproveitando intensamente o seminário e as palestras das pesquisadoras portuguesas, bem como a comunidade, professores da rede pública e servidores do nosso câmpus”, comemorou Ana.
Outro ponto de destaque, segundo Ana Claudia, foi o empenho da professora Marilza Vieira Cunha Rudge – Pró-Reitora de Pós-Graduação que não mediu esforços para tornar realidade o intercâmbio. “Ela simplesmente se engajou em nossa proposta, efetivou o vinculo do convênio e concretizou a teoria em prática, ou seja, além da assinatura de um acordo formal, possibilitou a vinda das pesquisadoras em nossa Universidade”, finalizou Ana Claudia.
* A foto principal traz da esquerda p/ direita os pesquisadores: Teresa Vilaça; Ana Claudia Bortolozzi Maia; Paulo Rennes Marçal Ribeiro; Isabel Chaves e Filomena Teixeira.


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