domingo, 1 de agosto de 2010
Escolaridade não previne gravidez na adolescência
Um estudo da Secretaria da Saúde de São Paulo, que reuniu 908 adolescentes – entre agosto de 1997 e janeiro de 2010 na Casa do Adolescente de Pinheiros (SP) – afirma que metade dos jovens que tiveram filhos antes dos 22 anos tem mais de oito anos de estudo.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Discussão de Notícias
Algumas das notícias apresentadas no último encontro (19/05) foram:
- A Geração Tolerância: reportagem que foi capa da revista Veja sobre jovens assumindo a homossexualidade.
- Projeto da Uganda para que haja condenação de homossexuais à Pena de Morte.
- Deputado quer que psicólogos possam tratar e curar homossexuais.
- Professora de uma faculdade de Minas Gerais é demitida por divulgar um cartaz com beijo lésbico.
- Adoção por Homossexuais: crônica do psicanalista Contardo Calligaris publicada no jornal Folha de São Paulo.
- Declarações Homofóbicas do Big Brother Brasil 10.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Araraquara organiza congresso luso-brasileiro de sexualidade
O Núcleo de Estudos da Sexualidade (Nusex), da Faculdade de Ciências e Letras (FCLar), câmpus de Araraquara, participa dos trabalhos preparatórios do I Congresso Luso-Brasileiro de Sexualidade e Educação Sexual, que será realizado em outubro, na cidade portuguesa de Aveiro. Também tomam parte na organização estudiosos da Universidade de Aveiro, da Universidade de Lisboa, da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Coimbra e da Universidade do Minho, todas de Portugal. O Nusex completou, em fevereiro, dez anos de pesquisas.
O Nusex atua no campo da sexualidade humana e da educação sexual e reúne pesquisadores da Unesp e de outras universidades brasileiras, além de especialistas de Portugal e Espanha. Uma parceria com o Ministério da Educação permite ao núcleo oferecer formação continuada a professores da rede pública de ensino.
Em julho de 2009, pesquisadores do grupo estiveram em Portugal, onde ministraram conferências em universidades e participaram da primeira reunião de organização do congresso luso-brasileiro.
O Nusex distribuiu a cartilha “Orientação sexual e Síndrome de Down: esclarecimentos para educadores”, de autoria dos professores Paulo Rennes Ribeiro , da FCL de Araraquara, e Ana Cláudia Bortolozzi Maia, da Faculdade de Ciências, câmpus de Bauru. O impresso foi lançado na Universidade Fernando Pessoa, no Porto, em Portugal.
“Tanto no Brasil como em outros países, os professores têm dificuldades em abordar temas da educação sexual, devido a valores morais e culturais, preconceitos e desinformação”, afirma Ribeiro, coordenador do Nusex. Para ele, uma legislação que determinasse como a educação sexual estaria inserida no ensino brasileiro ajudaria os educadores a estabelecerem uma abordagem adequada. “A formação deles é deficiente porque os cursos de licenciatura no país não são obrigados a oferecer disciplina voltada ao assunto.”
O Nusex realiza pesquisas que permitam estabelecer relações entre sexualidade e escola e que busquem contribuir para a organização e a sistematização da historiografia da educação sexual no Brasil. Os principais temas pesquisados pelo núcleo são: “Inclusão e sexualidade: análise de questões afetivo-sexuais em pessoas com deficiência física”; “Diversidade sexual na escola: reflexões sobre questões de gênero, sexismo e homofobia”; “Sexualidade e história: possibilidades de investigação conjunta entre Portugal e Brasil” e “Sexualidade e formação: reflexões sobre a repressão sexual hoje.”
Em seus dez anos, o núcleo já ofereceu vinte disciplinas, dentro do Programa de Pós-Graduação em Educação Escolar da FCLar. Foram geradas doze dissertações de mestrado, três teses de doutorado, uma tese de livre-docência, uma pesquisa de pós-doutorado e dez de Iniciação Científica.
O primeiro pós-doutorado realizado no núcleo foi concluído em outubro de 2009, pela professora Ana Cláudia. Ela desenvolveu o estudo “Inclusão e sexualidade: análise de questões afetivo-sexuais em pessoas com deficiência física”.
Leia esta notícia aqui.
Intercâmbio entre Portugal e Unesp e Visita das Portuguesas

Em setembro de 2009, a Faculdade de Ciências do campus de Bauru recebeu as professoras doutoras Filomena Teixeira, docente da Esec - Escola Superior de Educação de Coimbra - Isabel Chaves da Universidade de Lisboa e Maria Teresa Machado Vilaça - Universidade do Minho – região de Braga, juntamente com os professores doutores Ana Claudia Bortolozzi Maia, Ari Fernando Maia de Bauru e Paulo Rennes Marçal Ribeiro - FCLar/UNESP/Araraquara que iniciaram contatos para intercâmbio entre Portugal e Unesp quando estiveram naquele País, em junho de 2009, com amplo apoio da Propg- Pró-Reitoria de Pós-Graduação.
Os professores da Unesp participaram do I Congresso Internacional “Família, Escola e Sociedade – Educação Especial e as reuniões técnico-cientificas proporcionaram o intercâmbio entre as Universidades com trabalhos de pesquisa. Um deles será o I Congresso Luso-Brasileiro de Sexualidade e Educação Sexual que será realizado em Aveiro no ano de 2010. Após dois anos deve acontecer na Unesp.
Atualmente Portugal foca a discussão da educação sexual nas escolas no âmbito da educação e prevenção para a saúde, no Brasil as ações desenvolvidas surgem em resposta a casos específicos de violência contra mulheres e homossexuais.
Filomena Teixeira destaca os efeitos positivos da Educação Sexual nas instituições de ensino, para ela ao permitir espaços de reflexão e questionamento sobre a sexualidade conquista-se uma visão positiva da mesma.
Ela participou de banca de mestrado na Pós-Graduação da Faculdade de Ciências do curso de Pós-graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem.
As pesquisadoras participaram de um seminário que ocorreu em Araraquara “Tópicos Especiais em Educação Sexual” no último dia 05/11. Em Bauru, nos dias 11 e 12/11 com o tema: “Tópicos Especiais em Desenvolvimento e Sexualidade” no anfiteatro da Pós-Graduação da FC.
A professora Isabel pesquisa as tecnologias que influenciam e que podem ser usadas na promoção da educação sexual. “Esse convênio é muito importante, juntamente com o intercâmbio, mesmo com objetivos e áreas diferentes, o foco das pesquisas e a preocupação central é a Educação Sexual em ambos os paises”, destaca.
Em Portugal é obrigatória disciplinas de educação sexual nas escolas públicas até os 17 anos.
A internacionalização com pesquisas em conjunto entre Portugal e a Unesp também tem a possibilidade de se criar projetos de pesquisas em comum e que envolva os paises sobre sexualidade e educação sexual é altamente produtivo, reforça as professoras. “São várias vertentes nas linhas de pesquisas que ambos os paises atuam, mas é fundamentalmente a metodologia do ensino da educação sexual; sexualidade em mídia; tecnologia da informação e comunicação na Educação Sexual que vamos atuar em conjunto”, explica Teresa.
O grupo também conta com pesquisadores de outros paises como Espanha, Dinamarca e convênios que ainda estão em andamento, cujo objetivo é o de ampliar o trabalho em comum.
Mesmo em Portugal e em outros paises da Europa elas disseram que as taxas de doenças sexualmente transmissíveis e a disseminação da Aids se equivalem e são muito similares a do Brasil, como exemplo a gravidez na adolescência também ocorre em altos índices.
Elas ainda ressaltaram que mesmo em países desenvolvidos como Inglaterra e Estados Unidos também há equivalência de altas taxas de gravidez na adolescência, mesmo naqueles onde existem leis que obrigam a formação de professores para ministrar disciplinas de Educação Sexual, ocorre outro problema relacionado há falta de professores suficientes para ensinar. “O governo português realiza um esforço grandioso na formação desses professores, a exemplo da formação continuada e a criação de disciplinas nas universidades tem mudado bastante o conceito” ilustrou Teresa.
Entretanto, Isabel destaca que os jovens exercem papel fundamental, pois como estão intimamente ligados as mídias – como a interação através da Internet pelos fóruns, chats, e redes sociais, mesmo realizando consulta para as dúvidas, “devemos estudar essas vertentes na educação sexual para que o objetivo seja alcançado da melhor maneira possível”.
Como no Brasil, campanhas governamentais são realizadas em Portugal por Ongs e canais independentes de televisão, mas as professoras não conhecem os mecanismos de avaliação e não acreditam que ocorra a interação entre pesquisadores e os mídias a fim de obterem os resultados se essas campanhas foram eficientes ou não. “Há necessidade de se criar mecanismos para fortalecer as relações entre as instituições, pois as Ongs atuam diferentes dos pesquisadores, o ideal seria formar pessoas da mesma idade com a mesma faixa etária para influenciar aos jovens disseminando a informação”, destacaram.
Isabel acredita que o intercâmbio e o convênio é o caminho para a melhoria do tema, pois é altamente positivo, ocorre um estimulo positivo, uma inovação em conversar e criar caminhos e questões que possam se encaixar nas linhas de pesquisas com os colegas da UNESP.
Mesmo com referências teóricas semelhantes e culturas diferentes, principalmente, destacam o sistema de banca de mestrado e doutorado, em Portugal ocorre todo um ritual, é muito formal as apresentações. “Aqui no Brasil é extremamente informal e isso é muito bom para o candidato, ele fica mais a vontade e podemos interagir, a comunicação é espontânea. Isso é um dado cultural que sentimos, ainda penso que é mais positivo a informalidade”, revelou Teresa.
Sobre o Brasil, seus colegas portugueses alertaram as pesquisadoras sobre possíveis ameaças físicas que a imprensa mundial transmite e se depararam com panorama totalmente diferente, contou Teresa pela primeira vez no País.
A Propg – Pró-Reitoria de Pós-Graduação realiza um grande investimento e estimula o convenio possibilitando a ampliação e intercâmbio das pesquisas que poderão ser ampliadas aos alunos de Pós-graduação dos outros câmpus da Unesp.
A professora Ana Claudia do Câmpus de Bauru destaca que a vinda das pesquisadoras esta sendo altamente positivo, cuja contribuição não é somente para os estudantes da Pós-Graduação, mas também aos professores do câmpus. “Alunos da Pós como os da graduação e de iniciação científica estão aproveitando intensamente o seminário e as palestras das pesquisadoras portuguesas, bem como a comunidade, professores da rede pública e servidores do nosso câmpus”, comemorou Ana.
Outro ponto de destaque, segundo Ana Claudia, foi o empenho da professora Marilza Vieira Cunha Rudge – Pró-Reitora de Pós-Graduação que não mediu esforços para tornar realidade o intercâmbio. “Ela simplesmente se engajou em nossa proposta, efetivou o vinculo do convênio e concretizou a teoria em prática, ou seja, além da assinatura de um acordo formal, possibilitou a vinda das pesquisadoras em nossa Universidade”, finalizou Ana Claudia.
* A foto principal traz da esquerda p/ direita os pesquisadores: Teresa Vilaça; Ana Claudia Bortolozzi Maia; Paulo Rennes Marçal Ribeiro; Isabel Chaves e Filomena Teixeira.
sábado, 1 de maio de 2010
Sexualidade e Deficiência- A construção de Uma Vida.

Psicólogos constatam que desinformação, excesso de zelo e superproteção contribuem para isolamento e reprodução de estigmas
Reprimir manifestações de sexualidade da pessoa com deficiência é negar-lhe o direito de construir uma vida social e afetiva. Apesar dessa constatação, fruto dos avanços obtidos nos estudos, psicólogos da Unesp afirmam que, por desinformação, excesso de zelo e superproteção, pais e educadores costumam manter o deficiente sob constante vigília, contribuindo para uma tendência ao isolamento e à reprodução de estigmas.
“O que se defende na socialização da pessoa com deficiência é o seu direito a ter amigos, namorar e relacionar-se, independentemente dessa pessoa efetivar ou não a prática sexual”, diz Ana Cláudia Bortolozzi Maia, docente do Departamento de Psicologia e líder do Grupo de Pesquisa Sexualidade, Educação e Cultura da Faculdade de Ciências, câmpus de Bauru.
Para ela, seria importante reconhecer a individualidade de cada pessoa com seus limites e potencialidades para a expressão da sexualidade. “Tratar de uma mesma maneira todas as formas e graus de deficiências como se fossem uma só é uma das formas de limitar que o deficiente se desenvolva”, destaca.
O psicólogo Hugues Costa de França Ribeiro, que coordena o Grupo de Pesquisa Estudos sobre Sexualidade da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC), câmpus de Marília, enfatiza que os pais tendem a pensar a pessoa com deficiência como um ser assexuado. “Eles não ouvem o que ela deseja e precisa, e esta representação legitima a não oferta de educação sexual”, assinala.
Como conseqüência desta negação, no livro Sexualidade e Deficiências (veja quadro), resultado de sua tese de doutoramento, Ana Cláudia descreve que grande parte das pessoas com limitações passa a apresentar problemas de carência afetiva, dependência emocional e dificuldade para se tornar adulta.
Desinformação – Ana Cláudia e Hugues afirmam que a desinformação é o principal obstáculo para a socialização plena da pessoa com deficiência. Segundo os docentes, em geral, as famílias entendem suas manifestações de sexualidade como uma anormalidade e não como algo próprio dos humanos. “Essas famílias necessitam de suporte intelectual e emocional para lidar com o crescimento dos filhos. Isso as ajudaria a não incorporar o estigma social contra o diferente”, lembra Hugues.
Os estigmas enraizados no pensamento coletivo, de acordo com os pesquisadores, conduzem ao entendimento de que o deficiente intelectual manifesta sexualidade exagerada. “É fato que ele pode não ter a percepção das regras sociais, mas se for instruído saberá se comportar de forma adequada”, diz Ana Cláudia.
Por sua vez, Hugues lembra que a maioria dos deficientes intelectuais é portadora de uma desordem leve, e por isso é capaz de se beneficiar com a educação que envolva conteúdos da sexualidade.
Os portadores de deficiências físicas, auditivas e visuais entendem o cerceamento a que são submetidos cotidianamente como um sinal de que são incapazes de construir relacionamentos e isso repercute no próprio comportamento. “Essas pessoas quando chegam à escola já chegam com os preconceitos incorporados”, fala o docente de Marília.
Namoro ou amizade – Hugues realizou uma pesquisa junto a 40 adultos portadores de deficiência, com idades entre 18 e 35 anos, provenientes de classes sociais variadas, com o objetivo de analisar suas vivências afetivo-sexuais. Observou que as principais queixas dos entrevistados diziam respeito aos obstáculos impostos pelos familiares para impedir encontros amorosos.
Segundo o docente, essa atitude dos pais baseia-se na crença de que o deficiente não consegue se proteger e é incapaz de assumir responsabilidades. Os entrevistados, apesar de afirmarem sentir falta de um vínculo afetivo, reproduziam a fala de seus responsáveis: “Não pode. É muito perigoso”. Os relatos apontam que os membros desse grupo sentem as mesmas necessidades das demais pessoas, mas em razão dos estigmas acabam isolados. A socialização, para Hugues, representaria a possibilidade de um melhor ajustamento pessoal, social e sexual.
Ana Cláudia lembra que cabe aos educadores, psicólogos e demais profissionais o papel de pesquisar e esclarecer a comunidade sobre o assunto. “Toda a sociedade deve ajudar a pessoa com deficiência a viver a sua sexualidade, oferecendo-lhe orientações e condições adequadas para o desenvolvimento de suas potencialidades”, conclui.
Importância da educação sexual
Preconceito, desinformação, escassez de estudos sobre o assunto e diferenças de valores são alguns dos temas que cercam a sexualidade dos deficientes. Neste livro, a psicóloga Ana Cláudia Bortolozzi Maia não só discute os tabus que cercam o assunto como faz uma revisão bibliográfica na área.
Responsável pela disciplina Desenvolvimento e Educação Sexual no curso de Formação de Psicólogos da Faculdade de Ciências, câmpus de Bauru, ela acredita que o tipo de educação sexual recebida é um fator fundamental no diálogo sobre a sexualidade do deficiente e do não-deficiente.
Nesse sentido, o principal objetivo da obra é mostrar como as pessoas com deficiência compartilham o desejo sexual e o potencial afetivo e erótico inerentes ao ser humano. A autora faz uma reflexão crítica sobre o assunto, possibilitando a familiares, educadores e profissionais da educação e da psicologia reavaliar pontos de vista sobre a sexualidade e a educação sexual de pessoas com deficiência.
Oscar D’Ambrosio
Reportagem Jornal Unesp
Agosto 2008
Sexualidade e Deficiências

Nesta obra, a autora apresenta uma discussão plena sobre a sexualidade da pessoa com deficiência, de maneira clara e simples, redigida em capítulos que versam sobre os seguintes temas: o conceito de deficiência, a sexualidade da pessoa com deficiência, seja essa uma deficiência mental, física ou sensorial e o ensino da sexualidade para pessoas com deficiência. Espera-se que os conteúdos do livro contribuam para esclarecer eventuais preconceitos e idéias distorcidas acerca de supostas limitações ou exacerbações da sexualidade atribuídas à deficiência.
Além disso, pretende-se, também, garantir a familiares, educadores e diversos profissionais na área da educação e da psicologia um material de consulta, esclarecimento, alerta, incentivo e convite à discussão e reflexão dessa temática tão atual e importante.
Sexualidade e deficiências – Ana Cláudia Bortolozzi Maia;
Fundação Editora da Unesp; 292 páginas; R$ 45,00. Informações: (11) 3242-07171, feu@editora.unesp.br, www.editoraunesp.com.br
Sexualidade, Cinema e Deficiência

Os organizadores de "Sexualidade, Cinema e Deficiência" reuniram neste volume uma coleção de textos que trazem contribuições da academia e do cinema para as leituras e releituras de temas tão antigos, que ainda requerem debates constantes, como a sexualidade, a deficiência e a sexualidade da pessoa com deficiência.
Mesmo com o rigor da academia na análise da temática pelos autores, a obra poderá tocar, se não grandes multidões, as multidões de acadêmicos, profissionais, as próprias pessoas com deficiência e seus familiares e amigos.
Organizador: Francisco Assumpção Júnior.
Ano: 2008.
Capítulo Publicado por Ana Cláudia Bortolozzi Maia (GEPESEC):
"Deficiências Sensoriais e Sexualidade: O Amor e Os Sentidos".
Adoção por Homossexuais - A Família Homoparental sob o Olhar da Psicologia Jurídica

As relações afetivas e sexuais entre pessoas do mesmo sexo são questões polêmicas em diversos países, inclusive no Brasil.
Ainda mais polêmico e controverso é o tema da adoção por homossexuais, não só porque envolve a paternidade/maternidade homossexual, mas também porque a própria adoção tem uma história de estigmatização.
Os estudos sobre este tema são poucos e para aprofundar o conhecimento apresentamos neste livro uma pesquisa que retrata o relato de psicólogos judiciários que trabalham em processos de adoção sobre seus critérios e procedimentos na avaliação psicológica e suas concepções sobre a homossexualidade e a adoção por homossexuais.
Apresentamos também dados de estudos nacionais e internacionais sobre o tema. Esperamos com esta obra contribuir para diversos profissionais e estudiosos na área as Ciências Humanas em geral, e abranger o olhar de quem deseja a adoção, de familiares, de leigos e demais interessados nesta temática.

Mariana de Oliveira Farias é Psicóloga (Unesp). Mestra em Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem pela Unesp. Pesquisadora junto ao Grupo de Estudos e Pesquisa Sexualidade, Educação e Cultura (GEPESEC/Unesp-Bauru), cadastrado no CNPq. Atualmente é docente na Instituição Toledo de Ensino (ITE) na área de Metodologia Científica, Recursos Humanos e Psicologia Jurídica. Também atua em psicologia clínica e consultoria na área educacional.
Ana Cláudia Bortolozzi Maia é Psicóloga. Doutora em Educação pela UNESP - Marília. Docente lotada no Departamento de Psicologia da Faculdade de Ciências - UNESP , campus de Bauru, ministrando aulas junto ao curso de “Formação de Psicólogos” e ao programa de pós-graduação em “Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem”. Atua como membro integrante do Núcleo de Estudos em Sexualidade (NUSEX/ UNESP - Araraquara) onde desenvolve atividades de pós-doutorado e é líder do Grupo de Estudos e Pesquisa Sexualidade, Educação e Cultura (GEPESEC/UNESP - Bauru), ambos cadastrados no CNPq.
Para Comprar o Livro: http://www.jurua.com.br/shop_item.asp?id=21112
Reportagem da Revista Época: Ter filhos em duas rodas

A psicóloga paulista Tatiana Rolim, de 33 anos, paraplégica, está na fase de se perguntar como vai enfrentar a maternidade em duas rodas. Grávida de quatro meses, Tatiana tem uma história de vida ímpar. Quem não a conhece, rapidamente se impressiona com sua independência, sua determinação em viver e sua maneira articulada de falar. Ela ficou paraplégica aos 18 anos por conta de um caminhão desgovernado que a atropelou. Antes de se casar, morou cinco anos sozinha. Depois do acidente, Tatiana formou-se em psicologia, voltou a trabalhar como modelo e foi eleita, em 2004, uma das condutoras da tocha olímpica dos Jogos de Atenas. Por muito tempo, ela saía de sua casa às 7 da manhã em Franco da Rocha (periferia de São Paulo) para enfrentar três horas de transporte público até chegar ao trabalho, no bairro de Santo Amaro. Certa vez, um motorista de ônibus recusou-se a levá-la. Ela não teve dúvidas e jogou a cadeira de rodas em frente ao ônibus. Resultado: ela e o motorista foram parar na delegacia. Em 2001, ao entrar na faculdade de psicologia, Tatiana conseguiu que a direção da escola colocasse rampas para facilitar seu acesso às salas de aula. Com as mãos na barriguinha, ela diz esperar que seu filho seja tão determinado quanto ela.
Entre as várias conquistas de Tatiana depois de ficar paraplégica está o resgate de sua sexualidade. Em seu livro Meu andar sobre rodas (editora Scortecci), ela conta que um dos rapazes que se apaixonaram por ela dizia que não conseguia vê-la como uma mulher deficiente, porque isso significaria dizer que ela era um ser “assexuado, sem desejos, sem tesão”. Segundo um estudo sobre sexualidade e deficiência da psicóloga Ana Cláudia Bortolozzi Maia, do Núcleo de Estudos em Sexualidade da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o portador de deficiência pode levar uma vida sexual ativa. “As pessoas nem pensam que os cadeirantes fazem sexo. Muito menos que venham a ter filhos”, diz Ana Cláudia. Em sua pesquisa, ela constatou também que a maior parte dos deficientes deseja construir uma família. Mas Ana Cláudia faz um alerta às que querem ser “supermães”: “Ter filhos é uma decisão importante. Porém, é preciso não romantizar”, diz ela. Ou seja, elas precisam estar conscientes de que o sonho da maternidade é possível, mas as limitações de locomoção estarão sempre presentes.
Ekaterini Hadjirallis, filha de gregos e nascida no Uruguai, diz ter essa consciência e que por isso já montou um esquema para receber seus bebês. Ekaterini é paraplégica e está grávida de duas meninas. Por conta da gravidez das gêmeas, ela se mudou para o mesmo prédio da mãe em Brasília e pediu licença do trabalho. Psicóloga formada na Universidade de Brasília, ela trabalha no Tribunal Superior do Trabalho e diz que contará com a ajuda do marido, dos familiares e de uma babá para cuidar das crianças: “Estamos construindo uma logística”.
A pediatra Alice Deutsch, responsável pelo setor de neonatologia do Hospital Albert Einstein, diz que tanto a grávida como a mãe cadeirante sempre vão precisar de apoio adicional. A pediatra afirma que já viu situações delicadas com grávidas que sofreram lesão medular. Uma delas não sentiu as contrações e deu à luz, em um parto normal, a trigêmeos no quinto mês e meio de gravidez. Os bebês ficaram na UTI e sobreviveram. Apesar das cautelas, em nenhum momento a médica desencoraja a mãe com deficiência a realizar o sonho de ter um filho.
As pessoas nem pensam que cadeirantes fazem sexo, muito menos que venham a ter filhos
Um dos cuidados essenciais na hora do parto dessas mulheres é a anestesia – e por isso a importância de verificar o tipo de lesão medular que elas carregam. Apenas um neurologista pode fazer essa avaliação. Uma tetraplégica com lesão cervical precisa tomar cuidado especial, porque já sofre de limitação respiratória, dizem alguns médicos. Algumas pacientes paraplégicas recebem anestesia geral, outras a local. A obstetra Miriam diz que já realizou dois partos de paraplégicas com anestesia local. Uma delas desejava ver o filho nascer. Existem especialistas que defendem o parto normal para mulheres deficientes, como a terapeuta ocupacional americana Judith Rodgers, que sofreu lesão parcial cerebral e estuda pacientes com deficiência há 30 anos. Judith é autora do livro Mother to be: a guide to pregnancy and birth for women with disabilities (editora Demos, 1991), algo como Gestante: um guia para a gravidez e o parto de mulheres com deficiências. Ela disse a ÉPOCA que em seu livro “são citados casos de mulheres deficientes que tiveram parto normal sem fazer esforço”. Ela sustenta que um dos principais problemas na gravidez das deficientes é a falta de informação entre os profissionais de saúde. A pesquisa Pregnancy for women with spinal cord injury (Gravidez de mulheres com lesões medulares), coordenada pelo médico americano Phil Klebine, da Universidade de Alabama, publicada em 2000, oferece uma lista dos problemas que a grávida cadeirante pode vir a ter. Além de trombose e infecção urinária, podem surgir complicações respiratórias, espasmos musculares e até hiper-reflexia autonômica – um aumento severo dos estímulos do sistema nervoso que pode causar hipertensão e sudorese. No final do estudo, os médicos dão um recado: “Não deixe que amigos, familiares ou até médicos façam com que você não tenha um bebê”. E concluem: “Embora haja riscos de complicações relacionadas à gestação, você pode reduzi-los e administrá-los com cuidados de um pré-natal adequado e um planejamento apropriado”.
No mês de março, uma iniciativa inédita deverá acontecer em um hospital público em São Paulo: o primeiro serviço de atendimento à saúde da mulher com deficiência. O projeto piloto deverá começar em março no Hospital Municipal Maternidade-Escola de Vila Nova Cachoeirinha e deverá ser expandido para outros hospitais da rede municipal paulista ainda neste ano. A maternidade já recebeu dez camas especiais para exames ginecológicos, um mamógrafo para que a gestante faça exames sem sair da cadeira de rodas e uma espécie de guindaste para transferi-la da cadeira para a cama. Os funcionários da saúde do hospital (médicos, enfermeiros, terapeutas, psicólogos) deverão passar neste mês por um treinamento. “O médico que diz que uma paciente tetraplégica não pode engravidar está desinformado”, diz o ginecologista e obstetra Carlos Alberto Ruiz, diretor do hospital-maternidade. “Essa mulher não é diferente das outras. Muitas vezes, as limitações estão mais presentes é na cabeça das pessoas.”
Fonte: Revista Época.
Pesquisa aponta mitos e verdades sobre a afetividade e sexualidade de pessoas com deficiência física

Desenhos ilustram o estudo e são de autoria de Bruna Bortolozzi Maia, filha da autora da pesquisa.
Ana Cláudia Bortolozzi Maia terminou em outubro de 2009 sua pesquisa de pós-doutorado intitulada “Inclusão e Sexualidade: análise de questões afetivas e sexuais em pessoas com deficiência física”, realizada junto ao Núcleo de Estudos da Sexualidade (NUSEX) e Laboratório de Ensino e Pesquisa em Sexualidade- (LASEX), sob a supervisão do Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro, do Departamento de Psicologia da Educação, da UNESP, Araraquara.
A pesquisa foi realizada com apoio de Bolsa Pós-doutorado Júnior do CNPq (Processo no. 15.2094/2008-3) que teve duração de um ano.
O objetivo da pesquisa foi investigar questões psicossociais sobre a sexualidade em populações especiais sob o ponto de vista de homens e mulheres com deficiências físicas.
A pesquisadora ouviu 12 pessoas adultas com diferentes deficiências físicas, como lesão medular, paralisia cerebral, acidente vascular cerebral, encefalite, má formação medular, etc.
A partir dos relatos dos participantes, várias questões foram analisadas como o cotidiano com a deficiência, a educação/orientação sexual e o aprendizado sobre sexualidade; a percepção corporal; a vida familiar e social; a vida afetiva e sexual e a relação entre a deficiência e sexualidade.
Os resultados da pesquisa mostram que os participantes consideraram as limitações orgânicas e sociais relacionadas à deficiência, porém, evidenciaram uma vida laboral, emocional e social de modo satisfatório.
Também relataram pouco acesso a informações sobre sexo e sexualidade na escola, na família ou de profissionais, esclarecendo sobre a questão com a experiência de pares igualmente deficientes.
A concepção de sexualidade foi relevada como ampla e difusa, isto é, incluiu o relato do afeto e da confiança como sentimentos fundamentais para sustentar o relacionamento amoroso e sexual, quando há uma deficiência física envolvida. Os participantes demonstraram boa auto-estima e reconhecem a deficiência física como integrante de sua condição pessoal, talvez pelo tempo prolongado de convívio com a deficiência.
Assim como não-deficientes eles retrataram também a influencia de padrões definidores de normalidade, como a estética, por exemplo.
A pesquisadora conclui que a sexualidade foi uma dimensão importante na vida dos entrevistados e seus relatos esclareceram vários mitos que, em geral, atribuem aos deficientes uma vida assexuada e infeliz. Segundo ela, “esses dados evidenciam que essas pessoas precisam ser reconhecidas como íntegras na sua sexualidade, superando os preconceitos e respeitando os princípios de uma sociedade inclusiva”.
Fonte: http://adocaoehomossexualidade.blogspot.com/search?updated-max=2010-01-28T10%3A22%3A00-08%3A00&max-results=3
Cartilha Informativa- Orientação Sexual e Síndrome de Down: Esclarecimentos Para Educadores.

MAIA, A. C. B. ; RIBEIRO, P. R. M. Orientação sexual e Síndrome de Down: esclarecimentos para educadores. 1. ed. Bauru: Faculdade de Ciências, 2009.
Esta cartilha constitúí o primeiro volume de uma coleção voltada especificamente para a orientação de professores e pais que buscam aprimorar seus conhecimentos de temas específicos da Educação. Tem a intenção de proporcionar esclarecimentos e reflexão sobre questões complexas e abrangentes ligadas à sexualidade que são imprescindíveis para o trabalho do educador.
No caso da Educação Especial, conhecer o desenvolvimento da sexualidade humana é importante para qualquer educador que pretenda planejar ações pedagógicas que auxiliem as pessoas com deficiência a expressar e a desenvolver sua sexualidade.
É essencial reconhecer a sexualidade das pessoas com deficiência, oferecendo a elas a oportunidade de receber orientação para a sua vida sexual, pois para atender aos princípios da sociedade inclusiva é preciso atingir também a dimensão sexual destas pessoas.
Filmes Discutidos

BILLY ELLIOT
(Drama; 100 min; Direção de Stephen Daldry, 2000).
Billy (Jamie Bell) é um garoto de 11 anos que vive numa pequena cidade da Inglaterra. Obrigado pelo pai a treinar boxe, Billy se interessa pelo Balé e, incentivado pela professora, resolve se dedicar à dança, mas deve enfrentar o preconceito e a resitência de seu irmãoe, principalmente, de seu pai.
MINHA VIDA
(Ma vie em rose, Drama; 90 min. Direção de Alain
História do garoto Ludovic (Georges du Fresne) que cresce,
(Drama, 127 min, Direção de Jean-Marc Vallée, 1996).
História de Zachary
XXY
(Drama, 86 mim, Direção Lúcia Punzo, 2007). 
Alex (Inés Efron) nasceu com as características sexuais de ambos os sexos e para fugir dos médicos que insistiam em corrigir a ambigüidade genital da garota, a família leva-a para um vilarejo no Uruguai. Convencidos de que uma cirurgia seria uma violência contra seu corpo, eles vivem retirados numa casa nas dunas. Um dia, recebem a visita de um casal de amigos, que traz com eles o filho adolescente. O pai visitante é especialista em cirurgia estética e se interessa pelo caso clínico da jovem. Enquanto isso, Alex, de 15 anos, e o rapaz, de 16, sentem-se atraídos um pelo outro.
Linhas de Pesquisa do GEPESEC
LINHA 1ASPECTOS PSICOSSOCIAIS DA SEXUALIDADE HUMANA
Ampliar os conhecimentos sobre as questões psicológicas e sociais que envolvem as práticas sexuais e as sexualidades num contexto cultural.
Nesta linha, enfatizam-se os seguintes temas:
(a) sexualidade e gênero,
(b) sexualidade e saúde/doença,
(c) sexualidade e internet
(d) masturbação
(e) orientação afetiva-sexual homoerótica
(f) prostituição
LINHA 2
INCLUSÃO E SEXUALIDADE
Conhecer, descrever e intervir em processos sociais, afetivos e ou sexuais decorrentes dos relacionamentos interpessoais; relacionar os conhecimentos teóricos sobre as deficiências às manifestações da sexualidade em pessoas com deficiências físicas, sensoriais ou mentais.
Debater sobre os conceitos de deficiência e de sexualidade como fenômenos sociais e atender a demanda de professores, pais e pessoas com deficiência nos aspectos da reabilitação social, afetiva e sexual
PROJETOS DE INTERVENÇÃO
Elaborar e realizar projetos de intervenção a diferentes instituições abrangendo grupos de crianças, adolescentes, adultos, idosos ou deficientes, etc. proporcionando a discussão e a reflexão sobre a sexualidade e a cultura.
Tais projetos priorizam o oferecimento de informações sobre sexualidade de forma reflexiva e crítica respeitando a educação sexual ética e emancipatória e procuram desenvolver estratégias metodológicas para garantir de forma eficaz os objetivos propostos.
REPRESSÃO SEXUAL E CULTURA
Identificar as características da repressão sexual contemporânea a partir de uma leitura crítica da relação entre a sexualidade e a cultura. Investigar os mecanismos de repressão sexual em diferentes manifestações da indústria cultural. Além disso, analisar o conteúdo ideológico a partir de leituras em sexualidade (obras diversas como revistas e livros de orientação e educação sexual para crianças, adolescentes adultos, assim como livros de literatura, livros de auto-ajuda, entre outros).
SEXUALIDADE HUMANA E DESENVOLVIMENTO
Nossos Encontros
e também o estudo teórico; reflexões sobre textos, filmes, notícias, assuntos presentes na mídia, etc.
Através desse blog apresentaremos um pouco do que acontece nesses encontros, falando sobre nossas pesquisas, sobre os materiais discutidos, nossas reflexões, etc.
É mais um espaço onde poderemos explorar, discutir e refletir sobre temas que envolvem Sexualidade, Educação e Cultura.




